A edição semanal da revista Época de 12/Junho “Deus é pop” abordou pontos interessantes no que diz respeito à juventude brasileira, que segundo pesquisa do instituto alemão Bertelsmann Stifung, está entre as mais religiosas do mundo. Um trecho da reportagem foi publicado no site da revista:
“Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados –, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte”, escreveram John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ambos jornalistas da revista britânica The Economist, no livro God is back. Para os jovens, como diz o título do livro, Deus está de volta.
Os Dados:
Trecho da reportagem:
Uma pesquisa inédita do instituto alemão Bertelsmann Stifung, realizada em 21 países, revela que esse renascimento da religião está mais presente no Brasil que na maioria dos países. O estudo mostra que o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos. Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são “profundamente religiosos”. Noventa por cento afirmam acreditar em Deus.
Religião modular:
A pesquisa aponta os meios de comunicação, principalmente as chamadas “novas mídias” como plataformas de disseminação da religião.
Milhões de jovens recorrem à internet para resolver seus problemas espirituais. Na rede de computadores, a diversidade de crenças se propaga como vírus.
Essa busca entretanto possui aspectos particulares. A reportagem revela que muitas doutrinas ou dogmas são adaptados ou rejeitados por grande parcela de jovens.
“Na minha geração só sabia o que era budismo quem viajava para o exterior”, diz a antropóloga Regina Novaes, da Universidade de São Paulo e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude. “Hoje, com a internet, o jovem conversa com todo o mundo e conhece novas religiões. A internet virou um templo.” Mais talvez do que isso, ela se converteu no veículo ideal de uma religião contemporânea e desregulada, que pode ser exercida coletivamente sem sair de casa e sem submeter-se a qualquer disciplina. (grifo meu).
Opinião
A religião faz parte do cotidiano do jovem brasileiro. A pesquisa veiculada através da revista Época deixa evidente a crescente busca da juventude por uma consciência religiosa, que aliás não nasce de um dia para o outro. Talvez como resposta a uma sociedade cada dia mais vazia e individualista.
A participação da mídia, principalmente da internet nesse processo é importantíssima (esse blog é um exemplo disso). A galera questiona, opina e assimila novos conceitos.
No contexto do cristianismo há um grande abismo de conceitos e visões entre igrejas e denominações que são tão homogêneas quanto água e óleo. Comunidades alternativas surgem e mudam a idéia predefinida de culto e igreja (mais sobre o assunto num próximo post). Esse processo não vê limites de tempo ou espaço: cultos trasmitidos via streaming; canais on-line; vídeos; podcasts que você ouve no seu computador, no celular, no mp3 player e etc.
A parte boa de tudo isso, é que a galera começa e enxergar (e pensar) “fora da caixa”.
Por outro lado, a necessidade de uma comunidade local, de uma cobertura espiritual existe e é real, mas ainda distante. Em outras palavras os jovens no Brasil são “ovelhas sem pastor” que ficam muitas vezes vulneráveis a idéias deturpadas; até porque o fluxo de informação fora da igreja é muito maior. E isso é óbvio: pergunte a qualquer jovem quanto tempo ela passa na igreja e quanto na internet por exemplo.
A religião adaptável, mutável é perigosa porque altera ou ignora doutrinas fundamentais que norteiam e dão sentido à fé.
De qualquer forma, contrariando os filósofos. Deus continua vivo.
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Fonte: Revista Época – 12/Junho. Saiba mais no site da revista, que conta ainda com um infográfico bem detalhado.


Muito interessante essa matéria. Mas não entendí algo: como 95% dos jovens se dizem religiosos e depois fala que 90% acredita em Deus? 5% é religioso e ateu ao mesmo tempo??
“Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são “profundamente religiosos”. Noventa por cento afirmam acreditar em Deus.”
Kennedy, a pesquisa abordou diversas religiões. Inclusive um dos destaques é o fato da disseminação de novas religiões; algumas das quais tem um conceito diferente do que ou de quem é Deus.
Obrigado pelo esclarecimento!
Muito boa irmão!!!
A sociedade sem Deus está cada vez vazia e sem sentido. Na mesma proporção que cresce os “vícios” entre os jovens, abre-se vácuo imenso – um “vazio existencial em suas vidas.
“Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados –, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte”
Se liberdade política trouxesse “salvação” para homem, não teríamos tanta pobreza, corrupção, entre outros – em nossa sociedade.
Se a instrução trouxesse “liberdade e salvação” para homem, não teríamos assistido na tv o caso
do professor da USP (que estava fazendo seu pós-Doutorado), ter assassinado seu filho e depois ter se suicidado em seu prédio de classe média alta em São Paulo.
Se o dinheiro “trouxesse liberdade e salvação” ao homem não teríamos visto a reportagem no “ESPORTE ESPETACULAR” com o Adriano,jogador de futebol, ter passado por crises de depressões causados pelo dinheiro e a fama.
E aí… o que o homem tem que buscar?
Existe um único caminho, ou melhor; O ÚNICO CAMINHO!
Deus abençoe!!!
Concordo Tiago, talvez os dados dessa pesquisa sejam o reflexo disso. Muito bons exemplos.